Eu confesso que fiquei muito surpreendida, em relação ao
post sobre a depilação, em haver, de facto, pais e mães a defenderem com unhas e
dentes o recurso a tal técnica em crianças, baseados no argumento ‘as crianças
são cruéis umas com as outras’.
Eu já escrevi aqui, várias vezes até, sobre a temática de que
hoje em dia não se criam filhos, criam-se pequenos seres déspotas. A incapacidade de dizer não e explicar o porquê dessa
negação é algo que me consegue deixar perplexa.
Deixar as crianças
esfolarem os joelhos, seja literalmente ou não, é deixar as crianças criarem
mecanismos de defesa que lhes permite lidar com as frustrações que toda uma
vida adulta implica.
Em adultos todos somos criticados por alguma razão. Seja
pelo excesso ou falta de peso, por ser míope, ter dentes tortos ou amarelos, o
cabelo com brancas, as unhas a descascar ou, simplesmente, porque gostamos de
amarelo em vez de azul. Se não somos ensinados, desde muito cedo, a
desvalorizar este tipo de reparo, se não somos ensinados a responder à letra,
se não somos ensinados a defender aquilo que somos apesar dos pesares, seremos
sempre e apenas um pau mandado em relação a uma sociedade cada vez mais estereotipada. E há determinado tipo de alicerces que, pela sua importância, não podem ser colados à estrutura tardiamente, sob pena de colapsarem ao primeiro impacto.
Mas isso sou eu, que continuo a achar que aos doze anos se
continua a ser criança.
Assino por baixo
ResponderEliminarVi o outro post já tarde, por isso aproveito este para comentar. Acho que neste tema a dificuldade é estabelecer uma idade para se dizer "até aos x anos é criança e daí para a frente já pode fazer isto e aquilo", uma vez que as crianças não têm todas o mesmo desenvolvimento emocional. Umas com 12 anos estão ainda preocupadas com os lacinhos no cabelo mas outras já estão bem à frente disso. Daí que, como em muitos outros assuntos, seja difícil generalizar.
ResponderEliminarTambém não concordo muito com o argumento de que se faz para se evitar ser gozado pelos outros, acho que aí é fundamental explicar aos filhos que durante toda a vida há-de haver meia dúzia de parvos cuja missão será a de tentar inferiorizar os outros de alguma forma.
Contudo, acho que se partir da própria criança e se estiver adaptado ao "nível de desenvolvimento" dela, não vejo mal. Eu por exemplo tenho, à conta disso, um episódio que hei-de recordar para toda a vida. Estava eu nas férias de verão do 6º para o 7º ano (tinha 12 anos) quando comecei a chatear os meus pais com isso. Tinha uns pelos horríveis nas pernas, muito escuros e enormes, e decidi que tinha chegado a altura de acabar com aquilo. Comprámos cera quente, em boião, que o meu pai (sim, o meu pai, pois a minha mãe não aprovava a ideia!) me espalhou com uma espátula pelas pernas. Bom e depois para tirar? Puxava por uma ponta e aquilo doía que se fartava, eu arrependi-me logo da ideia. Conclusão: no dia seguinte fui para a praia com bocaditos de cera nas pernas, pois não deixei tirar tudo e por muito que lavasse ficavam uns restinhos! Contudo, aquilo para mim era bem melhor do que ir com os pelos! Ah, santa loucura da pré-adolescência!
Felizmente mais tarde descobri as bandas de cera fria, muito menos dolorosas para mim, que continuam ainda a ser as minhas aliadas. Mas bom, partilhei este episódio caricato para mostrar que às vezes é preciso o apoio e a compreensão dos pais em decisões que, se forem devidamente acompanhadas, não roubam a infância a ninguém. Com um acompanhamento de perto tudo se consegue conciliar.
este texto lembrou-me um episódio que se passou comigo (já no post anterior comentei).
ResponderEliminarquando tinha 10 ou 11 anitos começaram a gozar imenso comigo por causa do 'bigode'.conclusão, com vergonha de contar à minha mãe e com vergonha dos pelos,toca de pegar na gilete às escondidas e rapar aquilo.
o que me valeu foi que acabei por me cortar,o que fez a minha mãe perceber a história toda e assim ensinou-me a tempo que não deveria nunca usar gilette naquela zona,e passámos a usar descolorante.
o teu texto passa um bocadinho a ideia de que são os pais que querem depilar as crianças porque, coitadinhas, não querem que elas sejam gozadas na escola. mas não é bem assim. se for a miúda a pedir à mãe ou ao pai para iniciar a depilação porque os pelos a incomodam, qual é o problema? acho melhor do que levarem com o gozo, ou depilar às escondidas e fazer uma asneira (como eu e a história da gilette). fui gozada por muitas outras coisas ao longo da vida, mas a história de ser gozada por causa dos pelos sempre foi das poucas que me incomodou a sério.e sendo um problema tão «tratável», não entendo porque achas tãaao esquisito que se faça.eu achava pior uma mãe recusar um pedido desses a um filho (tive uma colega cuja mãe recusava deixá-la depilar as axilas,a miúda tinha uns pelos ENORMES, nem era higiénico!).
e não é a depilação que faz uma criança deixar de ser criança. de certeza que haverá miúdas peludas que aos 11 ou 12 anos já não querem saber de bonecas,e vice versa. não estamos propriamente a falar de depilar virilhas e púbis!...
De facto eu é que ainda me surpreendo por a Cláudia se surpreender com algumas respostas dadas por algumas pessoas, sendo pais ou não, que defendem este recurso para motivar alguma autoestima aos filhos.
ResponderEliminarNão entendo isso como sendo educar numa redoma. Eu assumi no seu post que descolorava o buço à minha filha porque gozavam com ela na escola e continuo a fazê-lo sempre que achar que ela precisa para não gozarem com ela. Para mim isso é defender a minha filha e protegê-la porque é para isso que os pais servem. Tal como quando ela esfola os joelhos a brincar na rua eu os desinfeto. Tal como lhe tiro os piolhos quando ela apanha na escola, tal como não a mando suja e rota pra escola.
Talvez a Cláudia nunca tenha passado por isso na sua infância e por isso ache que é "educar numa redoma". Talvez a sua mãe nunca tenha precisado de lhe dar um miminho porque algum colega lhe chamou palito, caixa d'óculos ou badocha.
Um dia quando tiver filhos vai perceber que é assim mesmo. Fazemos tudo para que eles se sintam bem.
Eu ralho com a minha, bato-lhe e fica de castigo quando se porta mal. Não admito falta de educação seja de que maneira for e tento sempre explicar-lhe as coisas por forma a dar-se bem com todos. Também lhe ensino a defender-se e a argumentar, mas cada caso é um caso.
Acompanho-a 24 horas por dia 7 dias por semana 365 dias por ano e tenho orgulho em descolorar-lhe os pelitos do buço para que na escola não lhe chamem menino e para que ela não chore de vergonha!
Gosto de vir aqui ao seu blog. Divirto.me na maior parte das vezes com as tiradas, mas acho que às vezes abusa. Bem sei que é um espaço seu e que estamos numa democracia, mas não será isso um pouquinho de despotismo? ;)
Cada um tem a sua própria visão das coisas. A mim,chamavam-me caixa de óculos e a minha mãe não mos tirou. Ensinou-me foi a virar o jogo...a meu favor.....;)
Eliminarjá agora, além do bigodinho e da 'monocelha', eu também era caixa de óculos... continuo com a mesmíssima opinião sobre o tema porque a minha mãe nunca me tirou nenhum dos três.
EliminarEu tb tinha "bigode" e usava óculos. A minha mãe sempre me fez ver a importância dos óculos e nunca os tirava. O buço tb compreendeu que era altura de descolorar quando eu tinha 10 anos pelas mesmas razões que a minha filha agora sofre.
EliminarNão acho que uma coisa tenha nada a ver. Os óculos são necessários para ver, é uma questão de saúde, não de autoestima. Os pelos no buço não fazem falta nenhuma e a uma criança só servem para diminuir a autoestima e provocar o bulling dos seus colegas. Até já vi meninos a serem gozados por isso. E sabem que mais, acho que sim a atitude até tem de ser dos pais, mas dos pais das crianças que gozam e enxovalham os colegas por qualquer característica física seja ela gorda, alta, baixa, preta, branca, amarela, com óculos, com bigode ou sem cabelo!
Sempre ensinei a minha filha a não discriminar ninguém. Apesar de o fazerem com ela, não é essa a educação cá em casa.
Só para esclarecer, esta que vos escreve tem que fazer a depilação todas as semanas para conseguir andar apresentável, porque desde criança que sempre teve imensos pelos no corpo todo e ainda hoje faz piadas com o marido se não tem tempo de pegar na cera. Esta que Vos escreve tem centenas de fotografias em que o bigodinho e as sobrancelhas muito carregadas marcam toda a infância. Esta que Vos escreve ouviu piadas e contou-as todas em casa em jeito de queixume e em casa ensinaram-lhe que todos temos defeitos e que, acima de tudo, quem goza gratuitamente com os outros é que deve ter vergonha. Isto para mim é educar. Se outros optam por outras vias, é isso mesmo, uma opção. A mim cabe-me concordar ou não.
ResponderEliminarCada pai faz aquilo que acha melhor para a sua cria, eu como espectadora e educadora muito activa na vida de duas crianças tenho o meu próprio conceito do que é certo e do que é errado, colocá-lo por escrito é só fazer valer o principio deste blog: opinar.
Que engraçado,ainda há pouco escrevi sobre isso. Estamos a criar umas pequenas flores de estufa....
ResponderEliminarAcho isso mesmo. Os miúdos têm cada vez menos tolerância às adversidades porque simplesmente não têm que lutar contra elas. O dia-a-dia passou a ter uma cama de rede que lhes apara todas as possíveis quedas.
EliminarSe não esfolarmos os joelhos depois de cair da árvore, nunca iremos aprender que subir às árvores pode ser perigoso...
então coloco agora outra questão, porque fiquei interessada: a partir de que idade consideras então apropriado fazer a depilação?qual é o critério?
ResponderEliminaro critério é a adolescência. Não a pré-adolescente em que miúdas querem ser graúdas, mas a adolescência em que as meninas deixam de ser crianças, com todas as responsabilidades que isso implica. Respondendo em números, nunca antes dos 14 anos.
Eliminarparece-me que simplificas demasiado a questão. por uma miúda querer fazer o bigode aos 11 anos quer dizer que está a querer 'ser graúda' e que aos «12 vai estar a pedir a pílula»? parece-me um bocado exagerado. compreendo melhor o que queres dizer sobre ser educado numa redoma, mas isto não...
EliminarEu tive o período aos 11 anos, e já tinha pelos com fartura nessa idade. Descolorava, mas nem isso chegava. Já era adolescente, segundo os critérios médicos; e quem me dera ter tido uma mãe que me tivesse apoiado mais nessa transição. É que uma pessoa precisa dos óculos para ver, mas dos pelos não precisa para nada.
EliminarNão concordo contigo neste ponto. Uma coisa é uma miuda de 12 anos querer pôr silicone nas mamas, outra é querer minimizar o excesso de pelos. Por teres sido muito peluda, não significa que a tua opinião seja a correta. Isso é o mesmo que dizer que só os alentejanos é que podem contar piadas sobre alentejanos. Cada um deve fazer as suas escolhas.
ResponderEliminarBeijinhos