terça-feira, 9 de junho de 2015

Vicissitudes da vida moderna


Aquele momento em que vão no meio da rua, com o sol a brilhar lá bem no alto e recebem uma sms. E depois têm que a tentar ler. Sem reflexos no ecrã. Sem os reflexos nos óculos de sol. Com a mão a fazer caixinha no visor. E parar no meio da rua para curvar o corpo contra a luz e ajudar a mão-caixinha. E se forem à beira-rio ainda tentarão tirar o cabelo da frente por causa da brisa e quando dão pela cena já estarão de cabeça enfiada dentro da mala para ver se no escuro daquele buraco negro que normalmente são as malas de mulher conseguem vislumbrar o texto.

Sad, but true.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Filho de peixe...


Há dias disse-me uma personalidade conhecida do nosso Portugal à beira-mar plantado, algures numa caixa de comentários aqui do estabelecimento, que o meu problema era não gostar de histórias (isto a propósito de não gostar do trabalho dele e de outras personalidades em concreto), achei que não merecia resposta, mais não sendo porque dizerem-me isso quando se é juíz em causa própria não abona muito em favor do argumento, mas porque descobri isto hoje, respondo agora, que o meu 'problema' não é não gostar de histórias é só gostar de histórias bem contadas e contadas daquele jeito que (me) toca lá naquele pontinho da alma que às vezes até acredito que existe e que nos faz criar fracções de momentos perfeitos.


E tenho muita pena que esta história e outras como esta sejam renegadas para madrugadas solitárias da rádio divididas unicamente com insónias.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Sobre o código penal português ou 'ai se eu mandasse nisto por um par de horas'


Sobre ISTO, o que me apraz dizer é que esqueçamos o flagelo dos erros ortográficos e gramaticais e atentemos ao conteúdo:

Um dia ele vai explicar tudo. Um dia ele vai provar que não é um monstro. Um dia ele vai explicar que tinha verdadeiros motivos para matar um colega adolescente à pancada com um ferro. Porque, como todos sabemos, são vários os motivos que desculpam o facto de matarmos um conhecido nosso com uma barra de ferro e deixar o corpo abandonado numa cave fétida por vários dias.

Porque enquanto ele, coitado, se lamenta que a mãe só o visitou uma vez e decide com quem fica o seu portátil e os seus phones cheios de swag, uma outra mãe algures, entretanto, já fez o funeral ao seu filho adolescente que foi morto à pancada e ficou a apodrecer num canto escuro de um prédio.
A seguir, coitado, vai dizer que a falta de amor da mãe lhe provocou danos irreparáveis e que, vai-se a ver, até deve ser considerado inimputável e após uns meses num qualquer centro psiquiátrico pode ir à vidinha dele são e salvo.

Isto tudo a juntar ao facto do código penal português ser uma anedota de mau gosto que alguém um dia resolveu passar a escrito sob a forma de artigos numerados.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Flagelos nacionais


Se existe vida além da morte e se Camões, Pessoa e Saramago conseguem ver o que se passa deste lado, devem ter conversas hilariantes sobre o que por aqui se faz à língua portuguesa por estes dias.

Hoje, no facebook, li um comentário que dizia, e passo a citar: "gustei do que esse sinhor fez não se ficou á espera de subssidius". A pessoa que escreveu isto tinha certamente menos de 40 anos e a probabilidade de ter feito mais que a quarta classe é muito alta. Há dias um colega novo de trabalho de Excelso Esposo, acabadinho de terminar um mestrado em engenharia, ainda sem conta de e-mail própria usou a do meu digníssimo marido e escreveu "enderesso" no corpo da mensagem. Depois do choque de Excelso Esposo em ver tal coisa escrita com a sua assinatura automática seguiu-se toda uma palestra sobre gente que exige tratamentos de Dr. e Engº mas não sabe escrever o básico (e, meujamigos, desde que Excelso Esposo passou a trabalhar maioritariamente com engenheiros tem sido um divertimento coleccionar momentos de português assassinado!).

Isto tudo para dizer que o pessoal podia usar a internet (também) para ler livros, de preferência daqueles bem escritos e sem erros ortográficos básicos de forma a evitar escrever coisas como "retunda", "disses-te", "por veses", "alguem interecado", "alto ou baicho" ou, um dos meu preferidos, "ha-dem". 

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NOTA: todos os erros transcritos são reais, que nem a minha imaginação fértil dava para tanto.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Falemos de Pipis


Mais precisamente de pipis depilados! Pois que, como referi há uns tempos, dei inicio àquilo que me prometeram ser a oitava maravilha do mundo feminino e que dá pelo nome de depilação a laser.
Pois que aproveitando o desconto oferecido em vários blogs relativos ao 25 de Abril (a celeuma associada honestamente passou-e ao lado!) da Ultimate Laser e marquei a minha consulta para a clínica do Porto e com a intenção de exterminar o pelos do meu pipi de uma vez por todas, já que se nas outras partes do corpo, e com o uso continuado de cera, eu noto que eles são cada vez menos e mais fracos, na zona das virilhas e apesar de usar o mesmo método não havia maneira dos demónios enfraquecerem.
Na hora da marcação foram muito simpáticos, uma vez que a promoção era para consultas realizadas até dia 30 desse mês mas como eu tinha que fazer quase oitenta quilómetros para lá chegar e em dia de trabalho era impensável, aceitaram atender-me no dia 01 de Maio (era feriado mas estiveram abertos) usufruindo ainda das condições da promoção.
O gabinete fica no Edifício Capitólio, tem um ar muito clean e minimalista e lá chegada fui atendida pela técnica (não fixei o nome da menina, nem sei se é sempre a mesma!) que me explicou calmamente como era o procedimento e que o termo 'definitiva' não podia ser usado porque após o tratamento concluído, e para garantir os resultados, há que fazer manutenção periódica que varia de pessoa para pessoa e que não me poderia garantir desde o inicio quantas sessões seriam necessárias porque esse factor é extremamente variável.

Na avaliação do tipo de pelo e pele perguntou-me a menina qual era a minha tolerância à dor. E eu, que sou pessoa que só não adormece no gabinete da esteticista na hora da depilação a cera porque tem certo receio de começar a ressonar, disse-lhe que estava à vontade porque a minha tolerância é alta. E porque tendo a mania de ser ser chica-esperta e depois de já ter lido tudo e mais alguma coisa que havia disponível sobre o assunto também já sabia que quanto mais alta for a potência aplicada melhores e mais rápidos são os resultados. E tendo eu, de facto, uma capacidade de tolerar dor muito acima da média achei que iam ser penares*. Mas não foi bem assim! Nos primeiros disparos, na zona exterior da virilha, nem senti. Foi absolutamente indolor, no entanto à medida que a máquina ia chegando cada vez mais para dentro, comecei realmente a sentir dor daquela que não mata mas mói. Na zona da púbis tive mesmo que respirar fundo um par de vezes. Portanto, quando Vos disserem que aquilo é como ir beber chá das cinco com as amigas, estão a aldrabar. Dói. Não é uma coisa insuportável (até porque é momentâneo, passa logo) mas não é indolor e se são daquelas que já gemem quando pensam em depilação com cera é melhor irem preparadas para o pior, só para garantir! No final a técnica perguntou-me como me sentia, se tinha custado, eu disse-lhe que apesar do frio lá fora ela me pôs a suar. Ela consolou-me dizendo que para a potência que ela usou eu me tinha portado exemplarmente já que frequentemente e com potências mais baixas ela tem que interromper a sessão porque a pessoa precisa de recuperar.

Relativamente ao mais importante, os resultados: passadas quatro semanas da primeira sessão estou, para já, muito satisfeita. O pelo caiu todo nos primeiros quinze dias e neste momento tenho apenas meia dúzia de pelos a começarem a crescer. A pele está macia e sem qualquer marca, seja de pelos encravados seja de potenciais queimaduras provocadas pelo laser. Na medida em que a depilação com cera me durava apresentável na zona púbica no máximo oito dias, este já é um recorde. 

Assim sendo, para concluir e resumir:

Pontos positivos a registar: ao contrário do que acontece noutras clínicas, não me tentaram impingir cremes adicionais e estupidamente caros para o pós-tratamento, recomendaram-me comprar biafine na farmácia e aplicar uma/duas vezes por dia nos primeiros três dias; todo o atendimento e manuseamento do material foi feito de forma muito profissional e higiénica; já consigo ver resultados extremamente satisfatórios apenas com uma sessão.

Pontos negativos: em momento algum antes de efectuar o pagamento me falaram no preço dos tratamentos e a técnica ainda me perguntou se eu também ia fazer na zona das nádegas e só quando eu perguntei se isso estava incluído no pacote que eu tinha marcado é que ela me disse que não, que era um extra, portanto, aconselho cuidado e a esclarecer a questão de valores sempre que Vos perguntarem sobre o que querem e onde querem fazer para no fim não haver surpresas.

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*peanuts, traduzindo para quem não fala JorgeJesuês;

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Coisas que m'inerbam!


Eu gosto muito de rádio. Enquanto conduzo, então, é sagrado. Varia quase sempre entre a antena3 e a comercial, dependendo do horário. No entanto, há quatro motivos específicos que me impelem a mudar de estação como se a minha vida dependesse disso e nem que a única alternativa viável naquele momento seja ouvir o terço na rádio renascença e que passo a enumerar por ordem decrescente de palpitações nervosas que me provocam:

  1.  Luísa Sobral a cantar ou qualquer coisa que envolva a Luísa Sobral a emitir sons.
  2.  António Zambujo e tudo o que envolva as cantorias do António Zambujo, especialmente quanto canta a lambreta.
  3. O Nilton em todas e quaisquer situações que envolvam a estupidez omnipresente do Nilton.
  4. O Nuno Markl e as já tão gastas tentativas do Nuno Markl em se socorrer da sua faceta sou-nerd-anafado-distraído-e-muito-culto-por-isso-todos-me-acham-piada-embora-as-minhas-piadas-sejam-as-mesmas-há-mais-de-uma-década.
Se um dia me apanharem num canto escuro e se quiserem vingar de mim, obriguem-me a ouvir qualquer um destes seres por mais que uma fracção de segundos e eu garanto-Vos um colapso nervoso como nunca assistiram antes!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A nossa primeira vez


Diz que há uma primeira vez para tudo e esta semana foi a primeira vez que quase fomos vítimas de furto online. 
Pois que ontem acordou Excelso Esposo logo pela fresquinha com o gestor de conta a ligar para informar que o nosso cartão de crédito actual foi cancelado e vão enviar um novo porque nessa madrugada alguém por terra de nuestros hermanos tentou gastar 1300  mocas à nossa custa, em material informático e roupa. Que isto é gente que para roubar gosta de estar fashion!
Não conseguiram, felizmente, já que Excelso Esposo accionou o limite de segurança do cartão logo que o recebeu, mas é coisinha para me fazer pensar (ainda) melhor na próxima vez que digitar o número do cartão online. 

E, atente-se, que aquele cartão foi sempre usado em sites oficiais e ditos muito seguros, imagine-se se fosse usado por dá cá aquela palha por essa internet fora.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Da coêrencia (ou falta dela!)



A maioria dos blogs nacionais mais conhecidos tem autores de perfis mordazes e não só os assumem como se apoiam (ou apoiaram durante muito tempo) nesse aspecto para ganhar projecção. Gostam (ou gostavam, quando ainda não eram movidos a patrocinadores) de emitir juízos de valor amiúde e não se coíbem de dizer coisas menos simpáticas seja do vizinho da porta da frente seja das estrelas de Hollywood, coisa que, no entanto, vai diminuindo em proporção inversa à quantidade de vezes que começam a dar a cara. Sendo que isto é um facto que considero indiscutível, é com grande espanto que de quando em vez vejo zaragata no ar porque uma falou entre linhas da outra.
Assim, ESTE post teve direito a resposta via facebook da visada e, mais uma vez, eu dou por mim a pensar que o cabo da esfregona era um presente tão jeitoso nestes casos, mas, à falta de melhor tema para hoje, decidi opinar com mais pormenor desta vez.

Relativamente à autora do post pseudo-polémico não a tenho em grande consideração, tal como não tenho nenhum blogger que crie um espaço próprio apoiando o seu nome e os seus pensamentos exclusivamente no 'trabalho' dos outros. Isto, só por si, é suficiente para desconsiderar todos os caracteres escritos no dito espaço. Contudo, também acho que quem se sente visado está, na maioria das vezes, a fazer o papel de virgem ofendida. Neste caso em concreto, a Pipoca Mais Doce. Não esqueçamos as mais variadas pérolas que já foram escritas pela personagem Pipoca: foi a miúda doente na passadeira vermelha dos Oscares, foram os galhardetes trocados com a Sofia Alves (que parece terem dado o origem a processos legais inclusive), foram as dezenas de piropos em catadupa a cada estreia de Big Brother's e Casas dos Segredos e são as tiradas já tradicionais a cada passadeira vermelha nacional ou internacional.

Meujamigos, quando nos sentimos livres para dizer/escrever o que bem entendemos temos que ter estrutura suficiente para ouvir/ler o que não queremos sem fazer grande alarido.

Quantas vezes não insinuou a Pipoca que as moças que entravam nos reallity shows da tvi pareciam putas em função daquilo que vestiam ou calçavam? Quantas?!? Em que é que isso é diferente de vir alguém escrever que a colecção de sapatos da Cristina Ferreira faz as mulheres que os calçam parecerem galdérias? É diferente porque é a Pipoca que os calça? Acredito. Já diz o ditado muito antigo que pimenta no cu dos outros para mim é refresco.

Concluindo, não sejamos mais papistas que o Papa e use-se a cabeça para mais do que fazer publicidade a marcas de champôs.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Dos valores


Ontem vi o vídeo relativo a ESTA notícia quase em directo. Sou uma acérrima defensora das forças de segurança, acho que neste país geralmente não são valorizadas e trabalham em condições muitas vezes lamentáveis, no entanto, ontem, não pude deixar de ficar horrorizada com o que aquele agente graduado fez.
No vídeo vê-se claramente que não houve tentativa de agressão física por parte do cidadão, a única que poderia ter ocorrido seria uma ofensa verbal e em nenhum momento isso justifica aquilo que se passou a partir dali.
O facto daquele agente ter ignorado ostensivamente a presença de duas crianças e ter partido para agressão de um homem desarmado e um idoso, num qualquer país onde a justiça funcionasse, seria motivo para ser severamente punido.
Ver o menino mais novo, que terá sensivelmente a idade da minha sobrinha mais nova, num estado tal de pânico que fez com que fizesse xi-xi pelas pernas abaixo e o mais velho completamente desorientado cortou-me o coração e só piora cada vez que vejo as imagens em questão.

Colocar a hipótese do que se passou até poder ser aceitável em função de algo que pudesse ter sido dito é de uma tamanha insensibilidade que eu não consigo compreender ou aceitar.

Sobre livros e teorias de auto-ajuda...



...se tudo se resolvesse com a força do pensamento e energias positivas já eu estava multimilionária desde os meus quinze anos.
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Photo credits: A Criada Malcriada

quinta-feira, 14 de maio de 2015

(maijómenos) sobre aquilo do video em que as miúdas batem a berrar e o miúdo apanha calado.


Sobre o bullying e assuntos semelhantes eu já falei diversas vezes, nomeadamente AQUI. Sobre a forma como se educam os putos hoje em dia eu também  JÁ DEI OPINIÃO.

O que aqui me faz escrever novamente sobre o tema é dizer que é muito simples compreender que este tipo de videos entre adolescentes exista e seja cada vez mais comum. São putos, ainda meio acéfalos com as hormonas aos saltos e muitos deles com exemplos tão bons ou piores que eles em casa, que nenhuma moral têm para lhes dizer que aquilo não é correcto.

Vejamos, clicai AQUI. Espreitai o vídeo publicado no dia 13 de Maio, gravado à porta da Igreja de Canelas por supostos católicos devotos. Atentai com especial atenção ao que se passa a partir do minuto '3. Adultos. Oiçam e vejam com atenção tudo o que é dito e praticado por adultos em nome de supostos valores morais.

Acho que não preciso acrescentar mais nada.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Ahhh, o Estado, essa pessoa de bem...


Acabo de receber uma comunicação do IEFP a indeferir uma candidatura a um estímulo emprego fundamentada no argumento de que a empresa em questão não cumpre os requisitos porque tem dívidas ao Estado. Com 99.9% de certezas de que isso é impossível vou de imediato tirar certidões de não-dívida que, ESPANTO, afirmam o que eu já sabia: não há qualquer dívida à AT nem ao IGFSS.

A semana passada tive que fazer quatro reclamações à AT de quatro empresas diferentes em que era exigida uma multa de mais de trezentos euros a cada uma delas, pela suposta falta de cumprimento dum procedimento que a lei não exige àquelas empresas em concreto. Essas, mesmo não devendo nada a ninguém, mesmo que eu precise de uma declaração de não-dívida não a consigo obter até alguém na AT decidir dar seguimento ao processo.

Há dias tivemos que fazer uma terceira reclamação sobre o mesmo processo que após ter sido encerrado e assumido o erro da AT por duas vezes, foi reaberto novamente sem qualquer explicação coerente.

Quando se pede explicações e responsabilidades, nunca é culpa de ninguém e é sempre 'o sistema'.

Vou só ali cortar os pulsos e já venho.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Post capaz de ferir susceptibilidades


Passei de agnóstica a ateía há já vários anos, frequento, no entanto, a Igreja Católica sempre que há cerimónias que o justifiquem, nomeadamente baptizados, casamentos ou funerais. Em todos eles faço questão de ir à cerimónia religiosa porque acredito que se ela existe é porque faz sentido para as pessoas que me convidaram ou que me merecem consideração e, em respeito a elas, acho-me na obrigação de partilhar esse momento.
O que acontece é que, por norma, nestas situações eu saio das igrejas a suar de nervoso por causa da cerimónia e de (quase) tudo o que é dito durante a mesma.

Ontem fui a um funeral de uma pessoa que conheci por questões profissionais e por quem tinha bastante estima. Pelos motivos que já enumerei, fiz questão de estar presente na cerimónia que os familiares daquela pessoa a quem prestei última homenagem decidiram ser a adequada. E para não variar saí a suar de nervoso.
Pois que o Sr. padre, na altura da homilia, ou seja, na altura que deveria estar reservada para dar uma palavra especial à família, nomeadamente a filhos ainda jovens, decidiu que giro, giro era tecer toda uma teoria em como todos nós devemos evitar dizer que adoramos os nossos pais porque o acto de adorar está reservado a Deus. E esteve naquilo um bom quarto de hora. Eu já não vou mencionar a questão de toda a cerimónia ter sido absolutamente desadequada ao facto de ter uma pessoa morta dentro de um caixão. O que me chocou mesmo à séria (e ao ponto de pensar que se eu dia passo pela mesma situação e a melhor coisa que o padre arranja para dizer é aquilo eu não me controlo e sou eu que faço o sermão e a missa cantada) foi o facto de alguém que supostamente tem a obrigação moral e profissional de confortar ter este tipo de atitude num dos piores momentos da vida de outrem que é quando um filho perde um pai.

aproveitar para fazer um peditório durante a cerimónia está certinho, falar trezentas e vinte e sete vezes da associação de dadores de sangue lá da terra parece-me lindamente, dedicar a cerimónia a quem mais precisava naquele momento é que já era capaz de ser exagerado.

 E é por estas e por outras que por minha vontade no dia em que eu me finar, tiram-me do respectivo sítio onde dei o último ai, metem-me em quatro tábuas, ligam o forno e está feito. Hipocrisias nem em vida, quanto mais em morta.

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Poderia ainda falar sobre as pessoas que vão a funerais com o único intuito de serem vistas e, portanto, acham que ir a um funeral é vestir cumprindo mais ou menos o dress code, aparecer, cumprimentar a família próxima com ar muito pesaroso e depois  ficar na risota nas imediações com os restantes conhecidos que por lá vão aparecendo, mas isto é uma coisa que também me enerva sobremaneira e hoje é segunda-feira, portanto ainda muito cedo para eu me enervar.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Check List para o grande fim-de-semana que hoje começa!


1. nariz a pingar. CHECK!
2. garganta a arranhar. CHECK!
3. voz fanhosa. CHECK!
4. dores no corpo. CHECK!
5. tosse. CHECK!


Vai ser a verdadeira da rambóia: eu, o cêgripe, o sofá e as inúmeras canecas de chá.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A propósito de uma conversa no FB*


É de tirar a paciência a um santo quando chega esta altura do mês e é sempre a mesma ladainha quando se comunica aos empresários o valor de IVA a entregar ao Estado naquele mês.
"São uns ladrões!", "ando a trabalhar para aquecer" ou, a minha preferida, "não deves ter feito as contas bem feitas".
O pessoal vende, passa facturas, faz compras e tem despesas, o habitual de qualquer negócio em maior ou menor escala, e para quem faz disto vida e é minimamente organizado é até bastante simples saber com bastante antecedência se vai ter que entregar o valor do Iva o Estado ou não, mas qual quê?! É todo o santo mês o mesmo choradinho. Por mais que se explique que aquele dinheiro nunca lhes pertenceu sequer, que se o gastaram é porque estão a fazer mal a gestão da empresa e mais trinta e sete argumentos repetidos até à exaustão não há maneira de comerem e calarem quando recebem a guia de pagamento.

Eu estou nas duas posições: na que faz a gestão mensal (ou seja, as compras, as vendas, as despesas) e na que faz unicamente o cálculo em função daquilo que me é dado para contabilizar e, por isso, sei tão bem que aplicar a célebre teoria de quem não tem dinheiro não tem vícios é fundamental. Portanto, estar sempre a ter que aturar estes pais-nossos repetidos é coisa para me pôr a praguejar!!

*e de como isto é doença espalhada de Norte a Sul do país!