sexta-feira, 8 de junho de 2018

E só para aproveitar o embalo nisto de dar boas notícias a futuras mães


Ao contrário do que acontece com muitas das mulheres, o meu pós-parto serviu para perder os quilos a mais que não conseguia perder ainda antes de engravidar. Bendita amamentação e bendito pequeno leitãozinho que trouxe ao mundo!
Quando engravidei pesava (uns vergonhosos*) 57kg, na última semana de gravidez pesava 68.3kg (com uma enoooorme retenção de liquídos!). Cinco semanas depois de ter parido, numa consulta conjunta de endocrinologia e nutrição, saltei para a balança e a dita mostrava uns adoráveis 51.2kg, o que me valeu um enorme sermão sobre não poder perder mais peso entretanto, mas que me deixou de sorriso nos lábios.
A questão agora é quando deixar de amamentar por completo se isto não despenca e se vira o feitiço contra o feiticeiro! A ver vamos. 


*para a minha estatura, entenda-se!

Coração nas mãos e de como uma gravidez pode estar longe de ser um 'estado de graça'


A pessoa não morreu para a blogosfera novamente, mas a pessoa agora tem uma vida um pouco caótica, é o que é. Mas vamos lá a mais um episódio da maternidade para que os anónimos maldosos possam destilar um pouco mais de veneno (eu jurava que eles tinham debandado neste tempo todo mas parece que não!).

Para quem não percebe do assunto, convém fazer o intróito dizendo que durante os nove meses de gravidez é essencial que se façam três ecografias, uma por trimestre, e que cada uma delas se vai debruçar sobre questões distintas no desenvolvimento do bebé. A primeira faz-se ali entre a 11ª e a 13ª semana e pretende despistar grandes anomalias genéticas, nomeadamente várias trissomias (algumas das quais inviabilizam a progressão da gravidez). 

Pois que à 12ª semana vai aqui o casal maravilha feliz e contente fazer a eco, ver o crianço já com as devidas formas e sai do consultório com o mundo nas costas e atarantado com as notícias. Em resumo, e sem entrar em pormenores médicos, num jogo de probabilidades que normalmente anda na zona de 1 para 20000 possibilidades na pesquisa de anomalias, nós saímos daquele consultório com uma estatística de 1 em 7 (SETE) para que aquela criança que carregava tivesse problemas genéticos graves. 
E agora, perguntamos? ...Temos que esperar para atingir o tempo suficiente para fazer a amniocentese, disseram-nos. Mais uma vez, para quem não sabe, esse exame para ser fidedigno deve ser feito a partir das 16 semanas, o que significava que teríamos que aguardar, na melhor das hipóteses, um mês até poder ter as respostas que procurávamos. Um mês a deitar e a acordar vendo a barriga crescer e sem saber qual seria o futuro. Impensável para nós.
Naquele fim de dia e durante toda a noite eu pesquisei tudo o que havia para pesquisar. Li coisas em português, inglês, francês e latim e cheguei a uma conclusão: biópsia das vilosidades coriónicas. Uma coisa ainda tão pouco divulgada que aqui na parvónia onde moro não havia um único sítio ou médico que fizesse este exame. É em tudo semelhante à amniocentese mas pode ser feito muito mais cedo e acarreta um risco um pouco superior (não muito, se o médico for experiente). Consegui finalmente encontrar quem o fizesse no Porto, no Hospital dos Lusíadas. A 21 de Julho de 2017, dia de aniversário da minha mãe em que passamos o dia todo a tentar fingir que estávamos animados, ao final da tarde, recebi um dos emails mais importantes da minha vida e onde aquela bomba dos 1/7 desapareceu e foram afastadas as anomalias genéticas primárias. Mas pairava ainda a possibilidade de outro tipo de anomalias (ainda que menos graves), nomeadamente possíveis cardiopatias pelo que, a conselho da médica que nos seguia, decidimos aproveitar o material genético recolhido e mandamos fazer um CGH-Array.
O CGG-Array está para a medicina como um Ferrari topo de gama está para o automobilismo. São ambos muito caros mas dão respostas que nenhum outro é capaz. O Array permite o estudo detalhado do genoma humano e a pesquisa muito precoce de inúmeras doenças presentes no ADN. A 24 de Agosto veio a notícia que o estudo do genoma não tinha revelado alterações relevantes e que aquele bebé seria um bebé perfeitamente saudável. A 24 de Agosto de 2017 voltamos a respirar um pouquinho melhor.

Este meu relato de algo tão pessoal serve apenas para compilar uma série de palavras-chave que certamente vão ajudar alguém que, como eu, vai andar horas à procura de respostas e consolo por causa de uma notícia menos boa. Para esses que aqui cheguem por causa disso, não desesperem. É horrível passar por isso mas pode não ser nada. De veradde. Pode ser só um susto que vos vai dar alguns cabelos brancos a mais mas que não é o atestado definitivo de um final menos feliz.

Uma nota final para dizer que o SNS é óptimo a tratar doenças físicas mas péssimo no acompanhamento psicológico dos pacientes. Todas estas respostas precoces foram alcançadas à minha conta e risco e sem que nunca me tenha sido oferecida ajuda psicológica para lidar com a situação. À minha (normal) ansiedade a única resposta é que era preciso calma e paciência para aguardar. 

terça-feira, 27 de março de 2018

Nova vida


Pois que é verdade, desde a última vez que passei por cá já desovei, ou seja, há mais de um par de meses que a vidinha calma e pacata que eu conhecia se escafedeu. Entretanto chegou cá casa um pequeno piriquito por quem nos apaixonamos cada dia mais.

A minha gravidez não foi fácil. Quando no primeiro rastreio nos dizem que o filho que carregamos tem uma em sete probabilidades de ter trissomia 21, e apesar de todos os exames de tecnologia de ponta realizados posteriormente dizerem o contrário, só ficamos verdadeiramente aliviados quando o vemos e tocamos. Foram, portanto, quase nove meses de ansiedade em níveis elevados.

Já no parto tive direito ao menu completo. As águas rebentaram-me espontâneamente mas a dilatação não evoluiu, por isso ao fim de 16 horas induziram o parto. Após quase 12 horas de trabalho de parto com direito a entrar na fase de expulsão e tudietudo,  toca de ir para cesariana de urgência porque o piriquito estava literalmente preso a meio do caminho e a entrar em sofrimento. Conclusão, para o retirarem a ele o mais rapidamente possível mexeram-me nas entranhas todas, o que resultou numa semana de internamento e três dias algaliada. Recordar as dores dos dias seguintes é coisa para me fazer pensar no celibato até à morte. Foram litros de Tramal IV, senhores. Eu nem precisava pedir, as enfermeiras tinham ordens para me dar aquilo em modo non stop. Viva as drogas, yeeiii!

Entretanto, o primeiro mês também foi do escafandro com pequena criatura a berrar bastante e a mamar rigorosamente de duas em duas horas, noite e dia! ... nas primeiras três semanas arrependi-me da minha decisão de ser mãe numa média de meia-dúzia de vezes ao dia. Depois passou e hoje já não vejo o meu dia-a-dia sem o meu piqueno leitãozinho, mas o inicio foi muito complicado! O lado positivo disto tudo? Alontrei 11kg em nove meses, perdi 15kg em cinco semanas! 

Agora cá andamos, a aproveitar as pequenas evoluções e a estragar a criaturinha com muito mimo!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Um dia destes dou mais pormenores...



Quem se lembrou algum dia neste mundo de dizer que a gravidez era 'um estado de graça' das duas uma, ou era homem e parvo ou era uma mulher doida e com uma vida habitualmente muito triste e desinteressante.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Sobre isto dos blogs



É giro acompanhar a evolução dos que já cá andavam, uns porque se tornaram uma melhor versão de si mesmos, outros porque acabaram por mostrar que afinal não eram grande coisa.

Diz que agora, porque isto é de ciclos, a moda são os blogs de decoração e styling (styling da casa, da roupa, da comida, do instagram... se não sabem o que dizer que fazem, digam que são stylist's!) e os babyblogs. Se por um lado temos gente que monta e exibe 10 árvores de Natal em casa e vai de propósito a restaurantes finos para angariar o máximo de likes possível, por outro temos outros que não se coíbem de se socorrer dos filhos, do cão ou do gato para ganhar a vidinha ou simplesmente conseguir umas borlas e que passam, de um momento para o outro, do 'não mostro nada para o exibo tudo'.
Há ainda aquelas personagens que eram quase ninguém quando eu 'abandonei' a chafarrica, entretanto já ganharam estaleca para parcerias conceituadas e, portanto, bota de assumir o nariz empinado (que provavelmente sempre tiveram) e responder mal e porcamente nas redes sociais só porque sim. 

Continua a haver os crentes dos workshops de tudo e mais um par de botas e os que vivem à sombra de outros sob a desculpa de dizer e publicar as verdades, ainda que, felizmente, cada vez menos. Continua de quando em vez a haver um ou outro momento em que o verniz estala entre a 'hight socity blogosférica' mas depois, na festa do croquete seguinte já são todas 'migas e postam selfies com as hastags certas e a combinar.


Eu, que com a idade fui ficando (ainda) mais lowprofile, confesso, fico com um misto de sentimentos quando vejo estas coisas. De um lado o direito de fazer o que bem entendem com o que é seu, do outro verdadeiras situações de exposição à vergonha alheia que fazem corar os mais simples, num verdadeiro #vamoquivamo.

E é isto, devagar, entre uma reviravolta da criança dentro das minhas entranhas e um ataque pouco glamoroso de ciática eu vou apanhando o fio à meada...

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Deixa lá ver se eu ainda sei mexer nisto...


Dois anos e uns trocos depois e quem é vivo decide aparecer! Entonces, com vários meses pela frente para apreciar uma espécie de período sabático, nada melhor do que vir aqui num pulinho e perceber se isto de escrever ainda me dá algum prazer e se há alguém ainda desse lado. Continuo impertinente, cáustica e com pouco paciência para parvoíce gratuita mas, em compensação, fiquei mais ponderada e tendo a tolerar mais e opinar menos. Agora é perceber se isso também se nota quando escrevo sem filtro.

...Ah e tal Cláudia, tanto tempo desde as últimas linhas, aconteceu assim alguma coisa de importante, perguntam minhas ricas Felores de estufa cheias de consideração e interesse. Pois que em resumindo e para nos contextualizarmos de agora em diante, aqui fica:


  • Casei-me. De papel passado como mandam os bons costumes e com direito a jantar de gala e vestido de cerimónia. Excelso Esposo foi promovido, pois, a Digníssimo Marido.
  • Fui a Paris e fiquei apaixonada.
  • A minha mãe teve cancro e foi uma merda.
  • Fiz duas tatuagens.
  • Fui para o ginásio e comecei a ser fit.
  • Troquei de carro.
  • Achei que trabalhar para duas entidades diferentes era pouco e me dava muito tempo livre e então arranjei uma terceira.
  • Saí do ginásio e percebi que não gosto mesmo nada de ser fit.
  • Fui a Londres e vim desolada.
  • O meu pai teve cancro e foi uma merda ainda maior.
  • Decidimos  ter um filho, engravidei e daqui a umas semanas começa a maior aventura da minha vida e o motivo base deste meu regresso, já que suspeito que terei muito a dizer sobre o assunto.


Assim sendo, bem-vindas de volta, Pessoas!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cansei (de ser sexy)


E, pronto, meujamigos, foi bonito enquanto durou mas vamos ficar por aqui. 

A culpa não é Vossa, é minha, que me canso com facilidade das mesmas caras, dos mesmos assuntos, das mesmas jigajogas  em forma de post, dia após dia. Porque sou intrínsecamente anti-social e este blog tornou-se, com o tempo, aquela casa onde eu já recebia demasiadas visitas que se fizeram de convidadas.


Quem sabe não nos voltamos a encontrar algures por aí, de surpresa.

domingo, 21 de junho de 2015

Bipolaridade dominical


Saí de casa às 10:30, quando o termómetro marcava já trinta graus. Depois, uma hora e meia de missa com um padre doido, um almoço de primeira comunhão, setenta quilómetros a moer no carro e um velório de uma pessoa muito querida, mais setenta quilómetros de regresso e uma espécie de jantar do que restava da comunhão. Tudo em cima de uns saltos de dez centímetros e um ataque de sinusite pelo meio. 

Ainda bem que amanhã é segunda-feira e um dos dias mais exigentes do mês a nível profissional. #soquenao

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Inspira, expira, respira


Trabalho com uma empresa que tem uma rotatividade de funcionários mais elevada que um bordel. Aquilo é um tal de entra e sai, de faz contratos, de faz cartas de rescisão, de faz avisos prévios e o raio qu'os parta que chega a um ponto em que a pessoa já tem um rol de minutas especiais preparadas só para a empresa em questão. Mas enerva, meujamigos, oh se enerva. Principalmente se por cada cinco contratos, quatro têm associadas medidas de apoio à contratação pelo Estado e por cada saída é um sem número de ofícios e comunicações que tem que se fazer. 

Há dias em que me sinto uma verdadeira Penélope, num faz e desfaz o que já está feito. O que vale é que hoje é sexta-feira (e atenua um nadinha o facto de saber que segunda-feira volto a ter um dia de cão vadio).

terça-feira, 16 de junho de 2015

Uma questão de serviço público


Se, tal como eu, pertencem àquela espécie que nas primeiras vezes que calça uns sapatos novos (sejam eles caríssimos ou uma verdadeira pechincha) fica sempre com os pés uma lástima, deixo-Vos uma dica:

Há já mais de um ano que me inscrevi numa campanha online e recebi uns quantos destes gratuitamente, quando chegaram encostei-os a um armário e nunca mais me lembrei deles. Até que há dias comprei uns sapatos que me deixaram marcas menos simpáticas nos pés e decidi testá-los. Experimentei e fiquei encantada! São de um silicone que agarra à pele, não se notam minimamente porque são transparentes e eliminam qualquer vestígio de dor provocada pelo contacto do sapato com a pele. Não faço ideia quanto custam mas são um pequeno milagre para quem, teimosa como eu, acha que há sapatos que com ou sem dor não devem ser usados com meias.

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NOTA: este post NÃO tem qualquer patrocínio associado.

Um dia compilo tudo e faço um livro*


E-mail de trabalho, na empresa de Excelso Esposo, escrito por um licenciado em engenharia, a meio de um mestrado:
"não é aceitável haver este tipo de preções".

Vou ali chorar sobre o túmulo de Fernando Pessoa e já volto.


*na dropbox de Excelso Esposo é cada buraco, uma minhoca.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Uma mulher nunca se engana, pode é precipitar-se de vez em quando

Sábado, no parque de estacionamento da Ikea, estava um casal espanhol com um seat leon a jogar tetris com as famigeradas embalagens planas. Até aqui tudo bem, quem nunca passou pelo mesmo que atire a primeira pedra, o problema foi que naquele caso alguém claramente se entusiasmou em demasia e já o carro estava atafulhado até ao tejadilho e ainda havia meia dúzia de caixas, um candeeiro e duas carpetes para enfiar lá para dentro. Ora vejamos o cenário:


Atentemos que eu nunca tinha visto o casal mais gordo, mas pela cara de culpa que a moça fez quando se encostou à parede, logo a seguir à foto ter sido tirada, enquanto ele sibilava coisas menos bonitas em castelhano, não me arriscaria muito se dissesse que foi ela que virou a louca dentro da loja e que sempre que ele lhe dizia que já chegava ela lhe respondia um famoso "porque no te callas".

domingo, 14 de junho de 2015

Glórias esquecidas


Hoje, numa sportzone algures na Invicta, vi um jovem a dirigir-se a Aurora Cunha e pedir-lhe um tamanho de sapatilhas. Isto porque a senhora trazia uma fita ao pescoço de um evento patrocinado pela loja e o moçoilo pensou que ela era funcionária. Num verdadeiro momento WTF, eu e Excelso Esposo ficamos sem saber se havíamos de rir ou chorar.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Vidas à lupa*


Gosto muito da ideia de envelhecer bem, de me darem sempre menos meia-dúzia de anos dos que o que realmente tenho. Agrada-me a ideia de a minha mãe, aos 62 anos, nunca ter pintado o cabelo e, mesmo assim, ter apenas meia-dúzia de brancos que assume já com orgulho e, por consequência, eu aos quase 32 nunca ter precisado de discutir colorações com a cabeleireira. Mas gosto sobretudo, independentemente da benevolência da genética, da ideia de envelhecer com orgulho naquilo que somos. Acho que, sim senhora, nos devemos cuidar, mas manter a consciência da idade que temos é fundamental, independentemente daquela que os outros nos dão. O acto de se cuidar deve ficar muito longe daquele ponto em que a juventude eterna passa a ser uma obessão ou acarreta uma imensa falta de noção.

Ver mulheres que aos quarenta se vestem como adolescentes, nos seus micro-calções e umbigos de fora, por muito bonitas e saradas que sejam dá um ar tão trashy que tira todo o encanto que eventualmente pudesse ter. Da mesma forma que alguém que vive atormentado com o aparecimento de uma nova ruga e é capaz de vender a alma ao diabo para experimentar o novo produto XPTO tem, na minha perspectiva,antes de tratar do exterior muitos assuntos no seu interior que deveriam ser prioridade.


*ou como as redes sociais mostram muito mais do que eu gostaria de ver.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Mais um que perde a batalha


Sempre o achei um canastrão de primeira mas nunca deixei de simpatizar com ele. Porque, a par do Ivo Canelas, era o único actor que fazia jus à beleza de um foda-se bem dito.


Até sempre.