sexta-feira, 24 de abril de 2015

Professores à prova de sensibilidade social


Pois que não sei se o mesmo acontece pelas Vossas zonas, mas por estes lados tornou-se moda os professores enviarem os trabalhos de casa, incluindo fichas completas, textos e outro material auxiliar, por e-mail para os alunos do ensino básico. Mandam o e-mail e, a partir daí, eles que se desenrasquem: que vão à net, que imprimam e que levem já feito para na aula seguinte entregar.
E eu pergunto-me se estes professores, ali entre uma greve e uma manifestaçãozita, tiveram tempo de olhar para outra coisa que não o próprio umbigo e se deram conta que há crianças cujos pais não têm dinheiro sequer para lhes pôr uma refeição decente na mesa, quanto mais ter dinheiro para pagar um computador com ligação à internet. Mais as folhas, a impressora e o respectivo tinteiro. Eu entendia estas exigências num colégio privado em que se parte do pressuposto que se há dinheiro para a mensalidade também o há para algo supostamente banal como a internet. Não o entendo em escolas públicas que se sabem frequentadas por crianças vindas das mais variadas classes sociais.

Ontem contava-me a minha sobrinha mais velha que uma colega dela teve falta de material porque como não tem internet em casa não conseguiu fazer os trabalhos de casa para apresentar na aula do dia seguinte. A professora ainda lhe respondeu que se quisesse podia ter ido à biblioteca. Ora, com intervalos no máximo de quinze minutos, horas de almoço caóticas e transportes para apanhar com horas mais que apertadas e dois computadores numa biblioteca que serve mais de quinhentos alunos esta resposta como é óbvio faz mais que sentido! 

Só que não.
A minha irmã nestas coisas nada se parece comigo porque podem ter a certeza que se se passasse algo semelhante na turma de um filho meu,eu era a primeira a  fazer 'dot the i's and cross the t's', como diria esse mui afamado ainda que amnésico gestor chamado Zeinal Bava.

No exacto momento em que a internet passar a ser de acesso grátis em todas casas e os computadores forem oferecidos aquando dos livros como material escolar, os professores terão todo o direito de achar que ensinar nestes termos é legítimo, até lá, se insistirem em fazê-lo, é esperar não apanhar nenhum pai com limites tão rígidos quanto os meus no que à idiotice diz respeito.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Imundice alheia


Eu já disse algures por aqui que um dos meus passatempos preferidos é ver anuncios de casas. Para vender ou alugar, eu gosto é de me armar em corrector imobiliário. E neste meu passatempo, uma das coisas que mais me diverte é ver as fotos ao pormenor. Se umas são tiradas com o propósito de fazer capa de revista outras há que parecem ter saído de uma casa que acabou de passar por um tsunami. Há aquelas que uma pessoa vê notoriamente que as pessoas já tinham iniciado as mudanças e daí a desorganização mas há algumas em que aquilo é imundice pura.
Há gente que consegue viver de forma verdadeiramente inimaginável, senhores. É roupas, livros, sapatos, comida, cd's, brinquedos de animais e loiça por lavar em tudo o que é canto da casa.

Há dias estava a ver  um vídeo de uma blog e enquanto ela falava e mostrava isto e aquilo eu só conseguia estar concentrada na total desorganização que a circundava e pensava 'mas como? como é que é possível?!' 

Conclusão, quem me tira a minha casinha organizada e religiosamente arrumada e cheirosa de sexta-a-sexta tira-me o sossego!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Bom, bonito e barato (e ainda algumas considerações)!


Antes de qualquer outra coisa devo esclarecer que todos os produtos que eu aqui recomendo são aconselhados na óptica do utilizador. Sejam capas de edredão, cremes, comida ou gadjets, eu aconselho aquilo que compro, gosto e serve os meus propósitos e em nenhum momento dou pareceres técnicos.
Na questão de cremes houve há uns tempos uma polémica se os blogs típicos de beleza e makeup fariam um mau serviço porque falavam daquilo que não tinham conhecimentos, nomeadamente relativamente a produtos de cuidados de pele. Eu aqui tenho uma opinião muito básica, quando eu procuro uma review de um produto que me chamou a atenção, eu procuro a opinião simples e sincera (cada vez mais difícil dadas as cada vez mais frequentes 'parcerias') da bloger em causa. Seja para me dizer que gostou do creme tão só porque cheira bem, porque gosta da textura do mesmo ou porque ele de facto resulta no tipo de pele dela. Eu não quero que ela me diga que aquele creme tem o ingrediente xpto que tem eficácia nas células hyz. Para saber essas coisas eu aconselho-me com técnicos especializados, seja o médico de família, o farmacêutico ou em casos muito específicos o dermatologista. Porque é a eles que lhes reconheço propriedade em aconselhar dentro desta matéria. Acho um tanto ignóbil que se use  as tais das reviews (seja por quem as faz como quem a procura) para outra coisa que não a mera partilha de opiniões, mas isso sou eu que acho que cada macaco se deve manter no seu galho. Mas adiante.

Feito o esclarecimento, seguem-se então dois produtos BB'B que entraram cá em casa e foram muito acarinhados.
Em primeiro lugar e um produto que me acompanhou durante todo o Inverno:


Diz a marca "Diadermine Lift+ Skin Perfection melhora visivelmente a estrutura da pele, reduz a secura e aumenta a sua elasticidade e firmeza. Para uma pele perfeita e uniforme. A fórmula leve do Óleo-Seco de Beleza proporciona nutrição intensa e é absorvida rapidamente para um toque de seda." E eu concordo em género, número e grau. Tenho a pele altamente reactiva, principalmente no tempo muito frio e, por isso, os Invernos são um tanto dramáticos para mim porque mesmo com cremes específicos sentia muitas vezes a sensação de pele a repuxar e as comichões. Mas este ano foi diferente, a viagem pelo Inverno foi uma espécie de voo em classe executiva. Comprei o óleo porque estava com cinquenta por cento de desconto e porque o meu serum da L'oreal tinha terminado. Na altura trouxe também o creme de alta tolerância de noite da mesma marca e posso dizer que juntos fizeram as maravilhas da minha pele, quase que se acabaram em definitivo os vermelhidões, o repuxamento, o prurido. De vez em quando, naqueles dias mesmo, mesmo muito frios ainda sentia ali qualquer coisita mas em comparação com o 'antes' era insignificante. Aplico todos os dias ao deitar, depois de limpar a pele e antes do hidratante e certamente irei voltar a comprar (se bem que aquilo é coisa que não precisa de mais de 3/4 gotas - literalmente-  de cada vez e que como tem um doseador muito eficaz dura e dura e dura!). O preço habitual dele são €16, mas, pelo menos no continente, há promoções frequentes em que pode ser adquirido a metade do preço.

O outro produto que comprei numa de experimentar só porque também estava em promoção (sou sovina, pois sou e depois!?!) foi o condicionador desta gama da L'oreal:


Devido aos produtos que me foram receitados por causa da dermatite do couro cabeludo, o meu cabelo ficou bastante seco, mesmo com o uso regular de máscaras. Por isso, quando precisei de voltar a comprar um condicionador dei preferência a um que me prometesse cuidar desse pormenor. Não resolvendo a questão a cem por cento, acaba por ser um produto muito bom, dado o seu preço. É um produto com uma textura muito concentrada e que apenas com um ou dois minutos de actuação surte efeitos muito satisfatórios. Deixa o cabelo notoriamente mais macio e nutrido, sem contar com o aroma que, para mim, é delicioso. O preço habitual é o normal para este tipo de produto e ronda os €3,50.

Et Voilá, ide lá e não digais que eu não sou amiga.

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Photo credits: Google Images

segunda-feira, 20 de abril de 2015

E (bons) blogs de homens, onde os há?


Diz que há nova catfight na blogosfera.
O que eu me divirto com isto de mulheres feitas, algumas com filhos paridos, andarem a mandar bitaites umas às outras como quem não a quer a  coisa e de tempos a tempos dá-se a Nagasaki da blogosfera e vai de fazer e apagar post's à pressa ou fazer prova provada do seu bom-nome. E depois há as amigas e as amigas das amigas que promovem grupos secretos e conspiram ora a favor ora contra e que acabam por tornar a festa numa verdadeira ramboiada.

Gajas. Era uma esfregona na mão e um salário-mínimo no bolso e deixavam-se destes fait-divers.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

E já agora*....


aos benfiquistas e sportinguistas que nunca acreditaram que seria possível, um momento lúdico!

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*e porque tenho em casa um portista doente ferrenho que disse desde o inicio que o Pepe vinha buscar três ao Porto e ninguém acreditava nele (nem eu!).

Ah e tal é lixo televisivo...


O facto de não raros fins-de-semana dar por mim a ver o programa das Kardashians serviu para uma coisa muito específica, além de perceber que sou uma pessoa extremamente inteligente mas sem dinheiro: aprender a dizer o nome do marido da Kim.

Ao contrário do que se ouve dizer por aí (inclusivé os nossos locutores de rádio) não é 'k-ai-ni' West mas sim 'Ka-ni-ê' West!

Portanto, embora o programa seja efectivamente lixo e o dito Kanye seja um retardado, pensemos positivo, afinal até aprendemos qualquer coisa.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Conforto vs não 'tou nem aí



Ao ouvir esta crónica não pude deixar de me rir com vontade. Não raras vezes no caminho casa-trabalho passo por pessoas que andam a passear os cães/vão levar o lixo com a tal da roupa de andar por casa.
Já vi o malogrado pijama, já vi os tais panos que ainda servem de roupa e já vi pessoas que parecem estar a caminho da sopa dos pobres depois de uma noite ao relento. Desde aquelas calças de fato de treino acetinado que se usavam em 1999 conjugadas com camisolas de lã grossa cheia de borboto e crocs nos pés até meias brancas de raquetes por cima de leggings semi-transparentes. Já vi de tudo e realmente eu fico a pensar, mais do que esta gente sai assim de casa é mas esta gente anda assim em casa? Ao pé do marido/esposa?
Daí que eu esteja integralmente de acordo com a Vanda. Em casa procuro estar muito confortável mas ter sempre um je ne sais quoi de sexyness. Eu sinto-me muito melhor comigo mesma e a líbido do meu marido agradece.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Do desporto e das modas


Eu moro a dois minutos do parque da cidade cá do sítio. O parque da cidade cá do sítio é um espaço com alguns milhares de metros quadrados e que muita gente aproveita para fazer o seu exercício diário. Eu que até nem sou muito de embarcar em modas rendi-me à evidência e mentalizei-me que também eu tenho que começar a mexer o lombo (que aquela coisa do metabolismo se ir tornando cada vez mais lento com a idade afinal não é mito) se quero continuar a comer o que gosto sem me tornar uma lontra e que, portanto, esta coisa do running, que é como quem diz correr ao ar livre, não é assim uma coisa tão descabida e vá de aproveitar então em morar ali mesmo ao lado para ver se me motivo.
Vai na volta e lá ando eu já há uns dias a tentar ter uma vida mais fit na comida e no corpo, por isso tenho ido todos santos dias fazer exercício para o tal parque onde anda muita gente e dou por mim, enquanto quase-corro/quase-desfaleço, a olhar para as pessoas que vão passando por mim e vou catalogando*, e hoje, ignorando estoicamente o amontoado de papéis que tenho a sorrirem para mim, decidi partilhar convosco as várias sub-espécies que entretanto fui encontrando por lá. Assim sendo, cá vai:

1) os Pro - aqueles que correm como se não houvesse amanhã, que nos ultrapassam doze vezes no mesmo circuito e vão sempre com cara de quem está no spa, sempre equipados a rigor em roupas e tecnologias várias;

2) os Aspirantes-a-Pro: aqueles que vão equipados a rigor, começam com uma grande pujança, ultrapassam-nos três vezes no mesmo circuito mas à quarta já estão com cara de quem vai morrer ali mesmo mas por vergonha de serem desconsiderados pelos Pro continuam até ao ponto onde só o fingimento de uma cãibra os salva;

3) os Amadores-Curiosos - aqueles cujo equipamento é mais básico e geralmente de marcas de desporto low-cost. Ouviram falar daquilo, decidiram experimentar e para quem não mexia o rabo desde o secundário até nem se safam mal;

4) os Amadores-muito amadores: aqueles cujo equipamento é mais básico e geralmente de marcas de desporto low-cost. Ouviram falar daquilo, decidiram experimentar motivados pela simplicidade transparecida sempre que passavam pelos sub-espécimes 1) e 2) quando iam beber um café ali ao Beira-Rio, rapidamente compreendem que aquilo afinal custa pra caraças mas decidem não desistir logo à primeira;

5) os Amadores-bem intencionados: grupinhos de senhoras das mais diversas idades que se juntam para correr/caminhar em passo rápido no parque mas no fundo só lá vão mesmo para pôr a conversa em dia e à segunda volta já vão a passo de ver as montras; elas até compram umas roupas giras mas continuam a levar o sutiã de renda por baixo da camisola dry-fit branca porque investir num de desporto não compensa; já a roupa sempre dá para levar às compras ao supermercado ao sábado à tarde;

6) os Amadores-temporários: Ouviram falar daquilo, decidiram experimentar motivados pela simplicidade transparecida sempre que passavam pelos sub-espécimes 1), 2) e 3) quando iam beber um café ali ao Beira-Rio, pegaram naquelas calças de fato de treino velhas que havia lá em casa e a t-shirt oferecida na última feira do fumeiro e decidiram ir correr; ao fim do terceiro dia percebem que é melhor ficarem pela esplanada do café a ver gente correr e nunca mais ninguém lhes vê umas sapatilhas nos pés;

*é uma óptima técnica para se esquecerem de que se insistirem em correr mais um metro que seja vão falecer ali mesmo.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Como me fazer sentir especial em apenas alguns minutos*


Ir  levantar um exame que fiz e descobrir que padeço de uma condição física comum a apenas cerca de 15% da população mundial. 

Um dia, quando eu me finar, alguém vai pegar neste corpo e vai estudar o quão bizarro ele pode ser (e é!), mas enquanto estou vivinha da silva  tenho que conviver com o facto de todos desvalorizarem quando eu digo que sou estranha!

*#soquenão

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Então é assim:


Primavera: estação do ano que se segue ao Inverno e que antecede o Verão; caracteriza-se pelas suas temperaturas amenas.

Meia-estação: conceito muito utilizado em moda que designa as colecções para estações intermédias, nomeadamente Primavera e Outono.

Vestuário de meia-estação: roupas que são demasiado leves para usar em dias frios de Inverno e roupas que são demasiado pesadas para usar nos dias mais quentes do Verão.

Roupas a optar na meia-estação 'Primavera': blusas, camisas, camisolas de algodão, malhas finas, gangas e sarjas.

Roupas a evitar usar na meia-estação 'Primavera': casacos de penas, tops sem mangas, calças de flanela, tops sem costas, camisolas de lã de ovelha, tops que só tapam as mamas independentemente do seu tecido de fabrico, vestidos de lã mohair sem collants.


Nota final: usar muita roupa de Verão/Primavera, uma por cima da outra, não a torna roupa de Inverno, da mesma maneira que usar calções e saias de lã, bombazine e outros que tais sem meias não os torna roupa de Verão. Quanto muito, se passam o ano a vestir as mesmas peças, ora umas por cima das outras ora tirando collants e outros adereços, a única coisa que vão conseguir é que as pessoas à vossa volta tenham a sensação que andais sempre com as mesmas roupas entre Verão e saia Inverno.


sexta-feira, 27 de março de 2015

Há mais de 30 anos a prestar serviço público


Pois que não sei se as minhas Felores se têm dado ao trabalho de prestar atenção às notícias de foro técnico relativas ao IRS de 2015. Se por acaso não têm, deviam porque há alterações significativas e muito importantes.
Eu como sou uma jóia de moça faço-Vos o resumo dos resumos, atentem:

Todas as facturas que pretendam utilizar como dedução à colecta no IRS de 2015 têm que ter OBRIGATORIAMENTE o Vosso número de contribuinte, porém, colocar o NIF na altura da compra não basta. Todas as facturas têm OBRIGATORIAMENTE que ser validadas na Vossa página do portal das finanças. Com a Vossa senha têm que entrar no portal, seleccionar a secção e-factura e perder alguns (ou muitos!) minutos do Vosso tempo a classificar e validar cada uma das facturas que foi emitida em Vosso nome. Se acaso repararem que falta lá alguma deverão introduzi-la manualmente com toda a informação que é pedida.
Mais, se são trabalhadores independentes ou empresários em nome individual deverão ainda esclarecer se as facturas em questão são no âmbito da actividade profissional ou não (sendo que aqui muita atenção porque a questão está formulada ao contrário, num claro acto de má-fé!), principalmente se estão no regime do IVA , caso contrário terão sérios problemas na altura da entrega das declarações.

Se tendes filhos dependentes, independentemente de terem dois dias ou vinte anos de vida, as facturas dos gastos que lhes correspondem têm que ser pedidas em nome deles como já acontecia mas o procedimento de validação é igualmente exigido. Portanto, há que pedir a senha fiscal de cada uma das Vossas crias e fazer todo o trabalho mencionado acima para cada uma delas. Ainda no âmbito 'filhos', há que ter em atenção que todo o material escolar que seja adquirido em estabelecimento que não tenha o CAE de papelaria (a título principal ou secundário) não é aceite como despesa de educação. Segundo informações que temos, a STAPLES e o CONTINENTE estão em negociação com a AT para adicionar o referido CAE à sua actividade mas não sei em que ponto da situação isso está.

Depois há ainda que ter em atenção que as facturas com IVA a 23% relativas a saúde deixam de ser aceites e, embora não haja consenso nesta matéria, há dentro da AT quem defenda que se a mesma factura tiver elementos de seis e vinte e três a factura deixa de poder ser contabilizada. Como disse, não é uma posição pacífica, contudo e para acautelar, sigam o conselho e quando forem à farmácia peçam facturas separadas.

Depois, além das despesas comuns até aqui, passam a ser aceites as chamadas despesas gerais familiares, isto é, traduzindo, as facturas de supermercado, combustíveis, restaurantes e afins passam a ser passíveis de dedução à colecta até ao tecto máximo aceite, que é à volta de €750 por isso também não se preocupem muito se por acaso foram comprar meia-dúzia de ovos e se esqueceram de pedir factura.

Resumindo, eu e a maior parte dos colegas que trabalham diariamente com estas pentelhices temos sérias dúvidas se isto é constitucional porém, enquanto nada for feito para que se decida pela não constitucionalidade destes mandamentos, convém cumprir ou correm o risco de em Abril/Maio de 2016 sofrerem uma coisinha má quando virem que não têm deduções à colecta aceites e Vos aparecer a conta para pagar.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Do estado das coisas...


Estamos num país em que um homem suspeito de matar uma mulher por dinheiro está em casa com pulseira electrónica por um crime de branqueamento de capitais.
Estamos num país em que um polícia é preso e condenado a pagar uma multa inexplicável porque, por desconhecimento da sua presença, matou o filho de um assaltante em pleno assalto.
Estamos num país em que um padre abusa sexualmente de crianças e é condenado a pena suspensa.
Estamos num país em que um banqueiro afunda uma empresa de milhares de milhões, lesando milhares de pessoas inocentes e sai à rua diariamente sem qualquer restrição.
Estamos num país em que, por outro lado , se mantém preso um ex-primeiro ministro há meses sem que tenha sido formulada acusação concreta e cujo o maior crime se prende com questões de colarinho branco e as pessoas acham que, sim senhora, isso é a justiça a funcionar e que estamos no bom caminho.

Temos o país que merecemos, cada vez mais tenho a certeza disso...

Sendo que devo esclarecer que não acho que Sócrates seja inocente, que não é (tal como não são mais de metade daquelas pessoas que se passeiam pela Assembleia da Republica diariamente), a questão aqui é a hierarquização de valores. Não se pode mandar para a rua um pedófilo e manter preso alguém cujo crime é fazer e pedir favores de carácter político e económico. Sócrates está preso por ajustes políticos, os outros todos estão nas diferentes situações que referi porque a justiça portuguesa continua simplesmente sem funcionar.


terça-feira, 24 de março de 2015

Podia ser da TPM, mas na verdade é só porque é realmente palerma!


Às moças com idade para terem juízo em quem eu tropecei hoje no facebook e que acharam brilhante a ideia de se apresentarem nas suas páginas pessoais como Enfermeira Joaquina Andriuleta ou numa versão sucinta de Enfª Maria Micaela ... ide pastar vacas açorianas com trevos de quatro folhas, sim?!

Se já é rídiculo demais apresentarem-se pessoalmente pondo títulos no inicio do vosso nome, fazê-lo nas redes sociais é pedir para serem gozadas em praça pública. E eu não prometo que não o faça num futuro próximo com mais afinco, sim?!? Por agora é só isto.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Oh balha-nos o sinhore meu deus!


Andava eu entretida no facebook quando dou de caras com uma 'discussão' que a mim me pareceu surreal. Pois que várias mulheres falavam da sua experiência aquando do parto e como se sentiram ratos de laboratório quando, em alguns casos, mais de uma dúzia de estagiários decidiu ver o mundo real e desatar a enfiar dedos em patarecas alheias com o objectivo único de verificar dilatações e outros detalhes técnicos!
Pois que toda eu estremeci e rapidamente concluí que comigo era logo tudo corrido a pontapé, que eu sou pessoa dada à privacidade de tudo quanto é meu, com especial atenção pelas partes pudendas. A pessoa está ali em sofrimento e cheia de dúvidas existenciais (suponho, eu!) e, às duas por três, há muitos alguéns que se estão marimbando para o assunto e vai de dar/ter aulas práticas naquele momento. E chamem-me púdica e antiquada mas eu sou das que acha que ter meia dúzia de mãos diferentes enfiadas dentro da minha vagina no espaço de algumas horas é coisa para ser demasiado, seja por motivos lúdicos ou apenas profissionais.

Eu sei que os jovens médicos têm que aprender, não ponho isso em causa, e se fosse um, vá, na loucura, dois estagiários que me passassem a mão pelo pêlo eu ainda relevava e fazia o frete em nome da ciência, agora às dúzias?! É por que eras. À terceira mão estranha tenho para mim que ia dar tamanho coice que o jovem havia de ficar colado à parede mais próxima e sem dentinhos nenhuns na boca. Claro que depois lhe ia dizer que era uma boa oportunidade para servir de cobaia e podia sempre deixar que fosse um aprendiz de dentista a colocar-lhe os implantes e ele ia aceitar de sorriso nos lábios.

P.S.: achais que estou a exagerar? Então ide ler ISTO, faxabôr (que eu dei-me ao trabalho de procurar saber até que ponto é que estas condutas eram legítimas ou não)!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Olá, Olá*


Como vão essas vidinhas, uhm?! Pois que por aqui não se vai mal, não senhor, muito agradecida. Mas o que aqui me faz regressar é esta angústia miudinha que tenho em mim há uns dias e que Vos quero por a par.

Pois que vi o tão aclamado filme das cinquenta sombras de Grey. Não me deu a louca e achei que dar dez euros para ir ao cinema era boa ideia e, portanto, aproveitei essa descoberta do século que é a internet com tráfego ilimitado e decidi verificar se as minhas suspeitas iniciais tinham ou não fundamento.
Pois então o que é que eu achei? Achei que aquilo é efectivamente muito fraquinho. O moço e a moça têm tanta química entre eles como a água e o azeite e assim para resumir a coisa o resto dos desempenhos faz pendant com eles e com a história. O Crime do Padre Amaro com a nossa Soraia é cerca de trezentas e vinte e sete vezes mais erótico que aquilo, só que com uma fotografia de caca. Mas enfim, falemos da história em si mesma, já que depois da última cena do filme eu fiquei com real curiosidade de saber se a mosquinha morta da Anastacia ganhava algum amor-próprio ou não e decidi ler os livros.

Passei directamente para o segundo já que do primeiro já eu tinha visto o resumo em imagens. Pois que para desgosto da minha veia feminista e contra todos os cânones da emancipação da mulher, ao fim de quatro dias de ter levado uma tareia de chicote, ou seja, aí na décima página do volume dois a moça já está derretida nos braços do dito cujo novamente. E vê-la derretida em qualquer situação é algo que passa a ser mais do mesmo página após página. Ele, na questão sexual, é tão somente um tipo de gosta de sexo numa versão mais kinky (como aliás alguém tem a decência de esclarecer durante o livro) não sendo esse, de todo, o seu maior problema. Já ela passa de uma moça de vinte e um anos que nunca viu uma pila ao vivo e a cores para uma ninfomaníaca que só pensa em sexo. Está chover e ela quer sexo, está sol e ela quer sexo, está triste e quer sexo, está contente e quer sexo, esteve a morrer e quer sexo, foi raptada e quer sexo, o pai quase morre e... adivinhem, ela quer sexo! Basicamente é isto durante as mil e quinhentas páginas dos dois volumes. O homem não lhe pode dirigir a palavra e já ela pinga por todo o lado, mesmo que seja para a ofender. E depois são páginas e páginas de descrições sexuais que basicamente dão sempre no mesmo, mete mão, tira boca, enfia num buraco e acaricia noutro, ora com algemas ora sem chicotes, sem classe ou erotismo algum. Aquilo é porno e do fraquinho, meus amigos.

Mas, ei, até aqui tudo bem. O sexo na realidade também não passa muito disso e mesmo assim até os bichinhos gostam (menos os pandas, os pandas não são muito dados a isso!), o que me atormentou naqueles dias em que eu li a obra foi a sombra  que pairava sobre mim ao saber que há milhões (milhões, senhores!) de mulheres que acham que aquilo é uma história de amor. O homem quando não está na pele do mestre sexual é uma controlador obsessivo que não admite ser contrariado. Que decide o que ela come, o que ela veste, onde e com quem é que ela vai, se ela pode ou não conduzir, que não lhe permite sair de casa sem ser acompanhada e que só a deixa trabalhar porque ele entretanto comprou a empresa onde ela estava empregada para a poder controlar só mais um bocadinho de perto. Nos entretantos, ela passa a história (além de molhada) na eterna angústia de saber se o que ela disse/fez/pensou pode ou não deixá-lo zangado. Ela é assediada na discoteca e dá um estalo a um homem e depois explica que o fez não porque se sentiu ofendida mas por medo que o marido (sim, eles casam, lá pelo meio!) tivesse visto. E isto mexe comigo, pessoas, e mexe tanto porque eu sou mulher que tem certos problemas em aceitar a submissão social e conjugal de quem quer que seja (já que também há muito homem que só faz o que a mulher quer e deixa, não esqueçamos disto - só que nestes casos passa de uma história de amor para uma história de humor em que todos fazem piadas desagradáveis).

AQUI eu disse que só podia haver muita mulher com sexo pouco satisfatório, depois de ler o livro ainda mais angustiada fico por saber que não só há gente que precisa de ler estes livros manhosos para apimentar a sua relação real, como porque percebi que para além de mal fodida há muita mulher mal amada. Muita mulher que não tem noção de que apelidar isto de uma história de amor é ofender quem, felizmente, sabe que uma verdadeira história de amor se faz de companheirismo, de igualdade de pensamento e acção.
Concluindo e desculpando-me pela linguagem menos dourada, esta coisa deixou-me com a sensação de que ainda há muito por fazer neste tema da igualdade da mulher e que o maior entrave para que isso aconteça continuam a ser as próprias mulheres.

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*ler com a entoação daquela publicidade com aquela senhora que lê o horóscopo e nas horas vagas também faz anúncios de remédios para os ossos e articulações.