terça-feira, 4 de junho de 2013

Sobre a greve geral do dia 27


Sexta-feira almocei um croissant com fiambre, em pé, ao balcão, às 4h25 da tarde, no domingo às 21h30 estava no escritório a imprimir documentos, ontem almocei um lanche misto, às 2h45, enquanto seguia esbaforida na rua. De noite tenho sonhado com as senhoras da Câmara Municipal, do cartório, das finanças. Tudo ao molho e fé em Deus, numa grande orgia burocrática. 

Hoje, depois de uma manhã infernal, pude, finalmente, ir almoçar a casa como sempre faço e espero vir a ter uma noite decente já que, afinal, aquilo que todos diziam ser impossível de conseguir foi conseguido. Afinal, todo o esforço fez com que o patrão e a empresa não tivessem que desembolsar cerca de 35 mil aérios, directamente para os cofres do Estado. 
Se recebi um muito obrigado por tudo e pagamento das horas extraordinárias? Não, nem vou receber, mas fico com a consciência de que dei o meu tudo por tudo e isso, não bastando, ao menos deixa-me de consciência tranquila sobre o meu profissionalismo e sobre o meu conceito de 'vestir a camisola'*.


*que ao contrário do que muita gente pensa não é um valor extra no salário para ir as compras.

7 comentários:

  1. Acho que isso é mesmo o mais importante: deitarmos a cabeça na almofada com a consciência tranquila e a sensação de dever cumprido. :)

    www.letirose.com

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  2. Ai....adorei este post! As pessoas nem entendem. Eu não sou contra as greves,é um direito.Mas sou contra muitos dos motivos. Há pessoas que não dão valor ao que têm.

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  3. Eu passei o fim de semana a trabalhar e ninguém me pagou nem recebi um obrigado. Independentemente do amor à camisola, às vezes sabia bem alguma espécie de reconhecimento da parte de quem beneficia com o meu trabalho e, já agora, do meu patrão (o Estado), não lhe ficava mal. Quando falo em reconhecimento, obviamente que não me refiro a remuneração extra, que os tempos não estão para isso. Bastava um "obrigado, o que fazes é importante". No meu caso, gostava mesmo de trabalhar 40 horas semanais.

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  4. Concordo inteiramente com a Lara!
    Um "obrigada" é uma das melhores formas de motivação para o trabalho e para a vida. Reconhecerem o nosso valor e reforçarem positivamente o nosso desempenho, ajudava e muito a aumentar a competitividade e a produtividade.

    http://www.lavarcabecas.blogspot.pt/

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  5. Eu também não sou contra as greves. Mas, para mim, greve faz sentido em situações muito específicas, e deverá ser um recurso. Não algo usual. Que parece que é o que se tornou, nos dias que correm. Mensalmente há greves marcadas.

    Eu, mensalmente, tenho de fazer horas extraordinárias, no meu trabalho. Não que com isso receba algum valor extra, e por vezes nem um obrigado. Mas é o meu trabalho. É o que me faz estar tranquila.

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  6. Acho que muitos patrões não fazem os funcionários sentir-se importantes, o que dificulta esse tal "vestir de camisola". Mas adoro dar o meu melhor em tudo o que faço.

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  7. Não percebo a relação entre o conteúdo do post e o titulo. As pessoas não fazem greve porque não recebem obrigados dos patrões, as pessoas nao fazem greve porque ai que giro, deixa-me cá tirar um dia de folga, as pessoas não fazem greve porque são preguiçosas. As pessoas fazem greves para reivindicar direitos (e receber um ordenado digno é um direito, bem como receber pelas horas extraordinárias que fazem). Tratam-se de direitos e não de bónus ou regalias como tantos passam o tempo a esforcar-se por fazer parecer. E acho bem que se façam greves a reivindicar direitos, porque é graças a muitas greves e reivindicações que os direitos dos trabalhadores estão assegurados através de protecção jurídica. Se nunca ninguém tivesse reivindicado por melhores condições de trabalho através de greves, onde é que estaríamos hoje? Que horários de trabalho teríamos hoje? Que direitos de protecção na doença, na maternidade, na incapacidade? Que remunerações? Ainda acha que quem faz greve é porque não tem amor à camisola?

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Desabafem, vá...